24. Portal, caso e ciclo de vida
O site de quem pede, a fila de quem atende, a matriz que diz o que a plataforma aceita e as regras que agem sobre o caso.
O portal é outro endereço
`/portal`, e não uma aba do produto.
A separação não é estética. Quem abre um chamado trabalha na empresa, não é auditor: entrar no produto para pedir ajuda significa atravessar um menu de auditorias, riscos e não conformidades que não lhe diz respeito e no qual ele não tem o que fazer. Uma barra lateral de portas trancadas faz a pessoa concluir que errou de lugar — e o que ela faz então é telefonar. O chamado que nasce de um telefonema nasce sem registro.
O portal tem endereço próprio, pacote próprio e tela própria: cabeçalho, seletor de tema, seletor de tamanho de texto, e nada mais. A autenticação continua sendo a mesma — o mesmo servidor, o mesmo cadastro de pessoas. Identidade separada seria um segundo cadastro de usuários para manter, e um segundo lugar onde alguém esquece de remover quem saiu da organização.
A aba Pedir ajuda continua existindo dentro do produto, como atalho para quem já está lá. É o mesmo componente, e não uma segunda implementação.
O que o colaborador faz no portal
O portal é a casa de quem trabalha na organização, e não só de quem pede ajuda. As abas:
aba | o que é | pede |
|---|---|---|
Preciso de ajuda | procurar no catálogo e na base; se não resolver, abrir o chamado | caso:abrir |
Leitura obrigatória | os documentos que a organização pede que você leia; a ciência fica ligada à versão | documento:ler |
Pesquisar e perguntar | procurar documentos do acervo, ou perguntar à base em linguagem natural | documento:ler, documento:perguntar |
Análise de aderência | trazer um documento e ver se ele atende às normas marcadas; nada é guardado | documento:analisar |
Meus chamados | acompanhar os próprios chamados | caso:abrir |
Cada aba aparece só para quem tem a permissão. O Solicitante (quem entra pelo login da empresa) tem a ajuda, os chamados, a leitura e a pergunta à base; a análise de aderência é do Colaborador (quem entra por convite), que também responde auditoria no /responder. Ler, perguntar e analisar a aderência não consomem licença por si (D11); o que consome é o perfil — o Colaborador ocupa vaga de Analista, porque responde auditoria. O custo da IA fica contido pela cota diária por pessoa. As mesmas telas continuam no menu do produto (Acervo), para o auditor e o gestor.
São três páginas, e elas se citam
Endereço | Quem entra | O que faz |
|---|---|---|
/ | auditor, gestor | conduz auditorias, trata achados, monta painéis |
/responder | a área ou equipe avaliada | responde as perguntas que lhe foram despachadas |
/portal | quem precisa de alguma coisa | procura na base de conhecimento e abre chamado |
As três compartilham o mesmo login — o mesmo servidor, o mesmo cadastro de pessoas. Identidade separada seria um segundo cadastro de usuários para manter, e um segundo lugar onde alguém esquece de remover quem saiu da organização.
Quando o tenant configurou o próprio provedor de identidade (Integração com o diretório), a entrada do portal e do /responder mostra Entrar pelo provedor da organização, acima do login e senha. É o provedor do tenant daquele endereço, o mesmo da plataforma, e a volta dele cai de novo no site de onde a pessoa saiu, e não na plataforma. Com o tenant em "só o login da empresa", o formulário de senha some e fica só o botão.
E se citam: o rodapé de cada uma leva às outras duas, e o rodapé do menu lateral do produto leva às duas de fora. Separadas sem se citarem viram ilhas, e a pessoa que precisa da outra volta a perguntar a alguém por onde se entra — que é exatamente o que a separação veio evitar.
O artigo vem antes do formulário
Metade do que chega como chamado já está respondida na base de conhecimento. Um portal que abre o formulário primeiro transforma toda dúvida em chamado — e o artigo que resolveria em trinta segundos vira uma fila de dois dias.
Quando a palavra não acha, a descrição acha
A busca do portal é por termo. Quem escreve "não consigo entrar" não encontra um item chamado "Redefinição de senha", porque as palavras não coincidem — e era esse o ponto em que a pessoa desistia do portal.
Quando a busca não acha nada e há o que descrever, aparece Classificar o que eu escrevi: a plataforma lê a descrição e diz onde aquilo se encaixa.
• Com catálogo cadastrado, o modelo escolhe dentro do que existe. Não inventa galho novo: um catálogo que cresce sozinho a cada chamado deixa de ser catálogo em um mês, e a fila de atendimento passa a ter trezentas categorias com um caso cada.
• Sem catálogo — que é o estado de fábrica —, ele propõe um trio novo: serviço, categoria e subcategoria. É o único modo em que ele escreve no catálogo, e mesmo assim só depois de alguém com permissão de administrar aceitar.
• "Nenhuma serve" é uma resposta legítima, e a tela a mostra como tal. Um chamado mal classificado vai para a fila errada e espera lá; um palpite classificado parece uma decisão.
A sugestão não abre o chamado e não se aplica sozinha. Ela vem com o nome do modelo e o grau de confiança, e quem confirma é quem pediu — sugestão aplicada sem confirmação é decisão sem autor, e quando erra não há a quem perguntar por quê.
A classificação exige um modelo de linguagem ativo em Administração ▸ Modelo de linguagem. Sem ele, a tela diz isso em vez de falhar em silêncio.
Casos — abrir, atender e encerrar
A tela Casos é a fila de quem atende. Filtre por Estado, Prioridade, Buscar (número ou título) e só os meus; a barra de cada linha diz qual relógio corre e quanto dele já passou.
1. Para registrar, clique em Abrir caso. Preencha O que aconteceu (obrigatório), Detalhe, Item do catálogo (ou sem item — o atendente classifica), Impacto e Urgência. Marque Envolve dado pessoal quando for o caso: eleva a prioridade e aciona o prazo legal. Clique em abrir.
2. Clique no caso. No topo ficam os Relógios do acordo; abaixo, as abas Trabalho, Vínculos e Linha do tempo.
3. Em Responder, escreva e clique em Responder ao solicitante — é o que cumpre o relógio de primeira resposta — ou em Nota interna, que o solicitante não vê.
4. Em Tarefas, clique em concluir em cada uma. As obrigatórias aparecem marcadas.
5. Em Mover o caso, os botões são as situações para onde o ciclo de vida deixa ir; algumas pedem motivo.
6. Para fechar, clique em Encerrar com causa: escolha a Categoria de causa, escreva a Solução aplicada (obrigatória) e, se houve, a Solução de contorno. Clique em encerrar.
A prioridade sai da matriz da política (impacto × urgência); quando algo a eleva, o caso diz de quanto e por quê.
Para ligar o caso a um objeto de governança, na aba Vínculos:
1. Clique em Vincular a um registro.
2. Escolha o Tipo de registro — risco, não conformidade, controle, ativo (alvo), processo, auditoria, política, oportunidade, plano de ação ou outro caso — e a Relação. Para risco, a relação padrão é materializa: o caso conta como ocorrência do risco e entra no histórico de frequência da reavaliação. Materializa só existe para risco, e duplica só para outro caso.
3. Busque pelo número ou pelo título e clique no registro. O vínculo aparece na lista, com o nome do registro, e a prioridade é recalculada — vínculo com risco de criticidade alta ou com contrato sobe um degrau.
4. Para desfazer, clique no x do vínculo e confirme em Desfazer vínculo. A linha do tempo registra a remoção, e a prioridade é recalculada sem ele.
Vincular e desfazer pedem a permissão de atender caso. Os vínculos criados por regra ("Vincular a um registro", em Regras de atendimento) aparecem na mesma lista.
O ciclo de vida do caso é seu
Tratamento ▸ Ciclo de vida do caso (pede a permissão de administrar casos).
1. Escolha o tipo: Incidente, Requisição, Problema, Incidente maior ou Ocorrência.
2. Na matriz, cada linha é a situação de origem e cada coluna a de destino. Clique na célula para ligar ou desligar a transição.
3. Clique em Gravar o ciclo. O botão fica desligado enquanto nada mudou ou enquanto algum status ficaria sem saída.
A plataforma nasce com nove situações por tipo de caso — incidente, requisição, problema, incidente maior e ocorrência — e com o desenho de fábrica de o que liga cada uma às outras.
A tela é uma matriz, e não uma lista de transições. A diferença não é estética: numa lista, "de Resolvido não se volta para Novo" é uma linha que não existe, e o que não existe não se vê. Na matriz é uma célula vazia — que se vê, e que se clica para mudar de ideia.
O que não estiver marcado a plataforma recusa. É isso que impede um chamado de encerrar sem que ninguém o tenha olhado.
As regras do desenho de fábrica
Regra | Por quê |
|---|---|
de Novo só se vai para triagem, atendimento ou cancelado | encerrar um caso que ninguém olhou é a forma mais comum de fila limpa mentindo sobre trabalho feito |
os três "aguardando" voltam para atendimento, e não para triagem | o caso já foi triado; refazê‑lo joga fora a decisão de quem triou |
Resolvido reabre para atendimento | resolver é uma afirmação sobre o problema, e quem abriu pode discordar |
Encerrado e Cancelado não saem | um estado terminal do qual se sai não é terminal: é um estado intermediário com nome de fim, e todo indicador que conta "encerrados" passa a contar o que voltou |
O que a gravação recusa
Três incoerências, e a recusa é deliberada. Uma máquina de estados incoerente não quebra nada no momento em que é gravada: ela quebra semanas depois, quando um caso entra num status de onde não sai, e o que se vê então é um chamado parado que ninguém entende.
• transição de um status para ele mesmo;
• saída a partir de um estado terminal;
• status sem nenhuma saída — a tela avisa enquanto você edita, e não só ao gravar, porque descobrir isso no fim faria você refazer a matriz inteira para achar a linha vazia.
Voltar ao de fábrica apaga o seu desenho. A linha de fábrica fica intacta o tempo todo, e é por isso que voltar sempre funciona.
Regras de atendimento: condição e ação em listas
Em Tratamento ▸ Regras de atendimento (pede a permissão de administrar casos), a regra se monta escolhendo, e não escrevendo JSON:
1. Clique em Nova regra. Preencha Nome, Descrição, Gatilho e Ordem.
2. Em Condição, clique em Adicionar condição para cada linha e escolha em Vale quando se valem todas as linhas ou qualquer uma.
3. Em Ação, escolha O que fazer e preencha os parâmetros que aparecem.
4. Deixe Ativa e Só simular (não age sobre o caso) marcadas enquanto testa. Clique em Gravar.
5. Na lista, clique em Ensaiar, escolha o Caso e clique em Rodar sem executar. O botão Conferir em … leva ao lugar onde o efeito apareceria.
6. Satisfeito, abra a regra (Editar), desmarque Só simular e grave.
Varrer agora roda na hora a varredura do tempo que a plataforma faz sozinha a cada cinco minutos. Remover, dentro do editor, pergunta antes de apagar a regra: o log de disparos dela sai junto, e o que ela já fez nos casos fica no histórico de cada um. Para só pausar, desmarque Ativa. O que cada regra fez aparece na coluna Disparos, ao lado da lista.
O que cada parte faz:
• Gatilho — quando a regra é avaliada: o caso nasce, muda, encosta no prazo ou para de andar.
• Condição — linhas de campo, operador e valor. Os campos com valores conhecidos (prioridade, impacto, urgência, nível, tipo, estado) oferecem a lista; os demais aceitam texto. Escolha se valem todas as linhas ou qualquer uma. Sem linha, a regra vale para todo caso do gatilho.
• Ação — o que fazer: notificar, atribuir, alterar um campo, mudar o status, criar tarefa, escalonar ou vincular. Cada ação mostra só os parâmetros dela (para quem notificar, por qual modo atribuir, qual campo e valor, e assim por diante).
A regra continua gravada no mesmo formato de antes, e o JSON segue disponível em Editar como JSON (avançado). Uma regra antiga com grupos aninhados (um "e" dentro de um "ou") abre direto no modo avançado, com um aviso: o formulário não a mostraria inteira, e abrir num formulário que a achatasse mudaria o que ela faz.
O ensaio diz onde conferir e o que esperar
Antes ele terminava em "notificaria ATENDENTE sobre INC-2026-000015" e parava ali, deixando duas perguntas sem resposta — onde eu confiro? e o que eu devo ver? — cuja única saída era disparar de verdade e procurar. Ensaio que obriga a executar para ser entendido não é ensaio.
Agora cada ensaio devolve três coisas: a página onde o registro muda, o link para ela já apontado ao caso, e uma frase no futuro dizendo o que aparece lá.
Ação | Onde conferir | O que esperar |
|---|---|---|
Notificar | Avisos | um aviso novo para o destinatário, com aquele assunto; sai também por e-mail se a conta estiver configurada |
Atribuir | o caso | o campo Atendente deixa de estar vazio e o relógio de atribuição para |
Alterar campo | o caso | o campo passa a valer aquilo, e a troca entra no histórico com o nome da regra |
Alterar status | o caso | o caso vai para aquele status — se a transição não existir no ciclo de vida, a regra falha e a falha fica no log |
Criar tarefa | o caso | uma tarefa nova, pendente e sem dono |
Escalar | o caso | um escalonamento registrado e um aviso a quem a matriz da política aponta |
Vincular | o caso | um vínculo novo, visível nos dois lados |
"Ao disparar, nada mudaria"
O ensaio avisa antes quando a ação dispararia sem fazer nada. O caso de sempre: a regra avisa o atendente, e o caso ainda não tem atendente — ela dispara, registra o disparo e não avisa ninguém. Era exatamente isto que se via como "ficou disparando e nada aconteceu".
Quando acontece de verdade, o disparo não fica gravado como sucesso. A linha antiga dizia que a regra agiu, e quem investigava acreditava no log.
Uma regra de tempo não se repete com o caso parado
Três gatilhos não dependem de ninguém agir — percentual de SLA, prazo e inatividade — e a condição deles continua verdadeira enquanto o caso fica parado. Sem memória, a varredura de cinco em cinco minutos redisparava a mesma regra sobre o mesmo caso indefinidamente: dois casos chegaram a 388 disparos cada em dois dias. Em simulação isso enche o log; ligada, seriam 388 e-mails para a mesma pessoa sobre o mesmo chamado — e o que a organização faz com isso é desligar a automação inteira.
A memória é o movimento do caso, e não um intervalo fixo: assim que alguém interage, o aviso volta a poder sair. Um intervalo fixo silenciaria o aviso de um caso que acabou de mudar de mão, que é justamente quando ele importa.
O ensaio mostra quantas vezes aquela regra já disparou sobre aquele caso. Número alto é quase sempre condição que nunca deixa de ser verdadeira.